Elis, mas faltou Regina

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Longa sobre a vida de uma das maiores cantoras do País derrapa em pontos cruciais e deixa de fora dramas psicológicos da vida da artista

Por Camila Galvez

Fotos: Divulgação Atriz Andreia Horta interpreta Elis Regina

Fotos: Divulgação
Atriz Andreia Horta interpreta Elis Regina

Nada costuma dar tão certo no cinema brasileiro quanto uma boa biografia. Vide Cazuza – O Tempo não Para e 2 Filhos de Francisco, apenas para citar duas delas. O filme nacional Elis entra nesta leva e quer alcançar quem gosta da cantora, mas também quem aprecia música, especialmente MPB, e história. Isso porque a vida de Elis Regina está ligada ao nascimento da MPB no Brasil e aos anos de chumbo do regime militar. É isso que o longa ao qual o Estilo Angélica assistiu nos cinemas mostra como pano de fundo para a trajetória da menina que saiu do Rio Grande do Sul para ganhar o Brasil como uma das maiores cantoras da nossa música.

Mas, infelizmente, o filme, com roteiro e direção de Hugo Prata, peca em pontos cruciais. Ao se propor a contar a vida da cantora do início da carreira até a morte, acaba sendo superficial e ficando apenas nos fatos principais, como se fosse um mero relatório.

CENAS

Elis se transtorna e se alegra facilmente em um mudar de quadros, sem qualquer aprofundamento psicológico de seus dramas. Em uma das cenas, faz um teste para cantar em um bar carioca. Na cena seguinte, os shows já estão esgotados e os produtores do espaço garantem que “Copacabana é louca por ela”. A narrativa não se desenvolve: pula de um momento para o outro sem muito encadeamento.

elis_fime2Sobre o consumo de álcool e drogas, que levou à morte a cantora aos 36 anos, tão pouco é falado que fica parecendo injustificado o seu trágico fim. Pelo contrário, no início se enfatiza que ela não gostava de drogas. Maquiagem do lado pesado da vida da cantora para atingir mais público? Pode ser, até porque o roteiro meio novelesco prova que a intenção era mesmo essa: agradar a maioria com uma biografia conservadora.

A atriz Andreia Horta impressiona pela semelhança física com a cantora. Mas o roteiro a faz parecer exagerada, destacando com closes o jeito aberto de Elis dar risada, muitas vezes sem o menor sentido. A forma como ela mexia os braços ao cantar também parece caricata no filme, como se o tempo inteiro quisesse mostrar: olha, olha como ela é parecida com a Elis.

O que sobra mesmo é a bela fotografia, a atuação de Júlio Andrade como um Lennie Dale inspirado e de Caco Ciocler com uma ternura comovente como César Camargo Mariano. E, claro, as belas canções de Elis, que fazem o longa valer o preço do ingresso.

LANÇAMENTOS

magal-e-os-formigasNa onda dos filmes nacionais, nesta quinta-feira (15 de dezembro) chega aos cinemas Magal e os Formigas. João (Norival Rizzo) é um aposentado que está aborrecido com a vida e reclama o tempo todo de seu trabalho. Viciado em loteiras, está em depressão e não vê esperança. Até que, após um delírio, ele começa a receber visitas do cantor Sidney Magal.

Assustado com o fenômeno sobrenatural recorrente, ele irá aprender, com o bom humor da aparição, os jeitos de viver sempre o lado bom da vida. Comédia para rir sem moderação.

 

rogueoneE para os fãs de Star Wars, a estreia tão aguardada de Rogue One, primeiro filme derivado da franquia, é nesta quinta-feira. A trama se passa antes do Episódio IV: Uma Nova Esperança.

No longa, guerreiros rebeldes partem em missão para roubar os planos da Estrela da Morte e trazer nova esperança para a galáxia. Notícia triste para os fãs mais tradicionalistas: não haverá jedis no filme.

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